Mea culpa, mea maxima culpa

por Rodrigo Ávila

Os anos de poder parecem ter deixado o Partido dos Trabalhadores igual aos demais ajuntamentos políticos também chamados de partidos. Sobram posições fisiológicas, interesses grupais e acordos políticos que apagaram o vermelho vibrante de uma agremiação que nasceu como contraponto aos anos de chumbo da ditadura militar. Era capaz de enxergar-se, discutir-se e a partir daí dar à sociedade possibilidade de realmente participar das decisões políticas em seu país, estado ou cidade.

Em Belo Horizonte, durante os vinte últimos anos, o PT foi capaz de enfrentar suas desigualdades internas e manter um projeto para a cidade que hora comandou, hora dividiu com aliados de idéias semelhantes. Foi assim ao eleger seus próprios prefeitos ou apoiados, como o caso do saudoso Célio de Castro e, mais recentemente, do nada saudoso Márcio Lacerda.

O PT errou na aliança que conduziu e elegeu Lacerda prefeito da capital mineira. Pode ser que a cidade, até movida pela maciça campanha publicitária – o orçamento de publicidade da PBH foi maior do que o do Orçamento Participativo – lhe confira alguns índices de aprovação. Mas é certo que a cidade ainda  viu que não andou.

BH Não ganhou mobilidade urbana, ao contrário. Vê sua vocação para o turismo gastronômico – interno e externo – a cada dia agredido por desastrosas medidas do governo municipal. Metrô, o que é isso? Casas populares, nem do Minha Casa, Minha Vida. E, voltando ao PT, cadê a prioridade tão decantada para os programas sociais do partido? Na verdade, o PT de BH vive com Lacerda do salário de suas cinco centenas  de empregados na prefeitura, que trabalham sob uma orientação nitidamente tucana. Vide presidência da achincalhada Câmara Municipal da cidade.

Então, o partido errou ao bancar a eleição de Márcio Lacerda e agora, fisiologicamente, quer continuar com ele ao invés de voltar, pelo menos em BH, a ser um partido aguerrido, de verdade. O PT precisa fazer essa mea culpa e ver que morrerá também na capital se continuar a reboque de um grande erro cometido.

Se o PT disputar a eleição para a PBH com um candidato próprio, pode perder, o que é próprio de uma disputa eleitoral, mas manterá viva sua idéia de partido. Se o PT disputar a eleição a reboque de Márcio Lacerda, aí é certo que perderá a eleição. Pode até manter uns fisiológicos cargos, mas corre o risco de ser varrido como foram os servidores do gabinete do vice-prefeito da cidade, só porque ele quer que o partido tenha seu candidato.

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