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”A economia é um subsistema do ecossistema”. Entrevista especial com Herman Daly

Para ele não é possível haver crescimento econômico mantendo a sustentabilidade ecológica. E ele é ninguém mais, ninguém menos do que Herman Daly, guru da economia ecológica e importante pensador na área do desenvolvimento sustentável. Daly concedeu a entrevista a seguir para a IHU On-Line, por e-mail, em que afirma que “a economia é um subsistema do ecossistema, e o ecossistema é finito, não cresce e é materialmente fechado. Temos um fluxo contínuo de energia solar entrante, mas que também não está aumentando”.

Na sua visão, “os países ricos precisam dar os primeiros passos rumo a um estado estacionário liberando espaço ecológico para que os países pobres cresçam até atingir um nível de prosperidade suficiente para uma vida boa – o mesmo objetivo que todos os países deveriam tentar alcançar”.

O economista estadunidense Herman Daly, de 93 anos, é professor emérito da Escola de Política Pública de College Park, nos Estados Unidos. Foi economista-chefe no Departamento Ambiental do Banco Mundial, onde auxiliou a desenvolver princípios políticos básicos relacionados ao desenvolvimento sustentável. Enquanto lá esteve, envolveu-se em operações ambientais na América Latina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em sua opinião, é possível haver crescimento econômico mantendo a sustentabilidade ecológica?

Herman Daly – Não. Não a longo prazo. A economia é um subsistema do ecossistema, e o ecossistema é finito, não cresce e é materialmente fechado. Temos um fluxo contínuo de energia solar entrante, mas que também não está aumentando.

IHU On-Line – Podemos imaginar um mundo com prosperidade sem crescimento econômico?

Herman Daly – Sim. Certamente podemos viver num nível próspero sem necessidade de que o nível de prosperidade aumente de modo contínuo.

IHU On-Line – Como define o conceito de “crescimento deseconômico”?

Herman Daly – O crescimento deseconômico é um crescimento que começou a custar mais do que vale – um crescimento (seja em volume de produção ou PIB) para o qual os custos adicionais (incluindo os custos ambientais e sociais) são maiores do que os benefícios adicionais em termos de produção.

IHU On-Line – O senhor conhece o conceito de decrescimento, defendido por Serge Latouche? Em que sentido ele se relaciona com o conceito de “crescimento deseconômico”?

Herman Daly – Suponho que decrescimento seja a correção para o fato de se ter tido um período de crescimento deseconômico – ou de ter crescido além da escala ótima da economia em relação ao ecossistema. A escola do decrescimento reconhece que a escala atual da economia é grande demais para se manter num estado estacionário. Por conseguinte, precisamos decrescer até chegar a uma escala sustentável que, então, procuramos manter num estado estacionário. O decrescimento, assim como o crescimento, não pode ser um processo permanente.

IHU On-Line – Como se aplicaria no cenário mundial atual o conceito de estado estacionário?

Herman Daly – Se nem o crescimento nem o decrescimento são sustentáveis, isso deixa o estado estacionário como único candidato. Mas nem mesmo um estado estacionário pode durar para sempre num mundo entrópico, de modo que o objetivo é a longevidade, e não a vida eterna neste mundo. Os países ricos precisam dar os primeiros passos rumo a um estado estacionário, liberando espaço ecológico para que os países pobres cresçam até atingir um nível de prosperidade suficiente para uma vida boa – o mesmo objetivo que todos os países deveriam tentar alcançar.

IHU On-Line – Como o senhor entende e define o que se chama hoje de “economia de baixo carbono”?

Herman Daly – Ela significa nos desacostumar dos combustíveis fósseis, mas poderia significar dependência da energia solar, como eu gostaria que acontecesse, ou também de energia nuclear, como defendem outros.

IHU On-Line – Qual a importância, na sua visão, de iniciativas como o IPCC (1988), o Protocolo de Kyoto (1997) e a Convenção do Clima (1992) no sentido de promover a economia de baixo carbono? Essas convenções têm algum impacto na prática?

Herman Daly – Até agora elas foram uma decepção, porque não se confrontaram com a questão do crescimento versus estado estacionário. Aceitam o contexto do crescimento e evitam a discussão a respeito da economia do estado estacionário.

IHU On-Line – Quais seriam as grandes transformações estruturais que as economias e as sociedades teriam que fazer para a passagem a uma economia de baixo carbono?

Herman Daly – Elas precisam adotar o paradigma do estado estacionário e esquecer o crescimento contínuo.

IHU On-Line – Que análise o senhor faz da crise financeira mundial atual? Que rumos o senhor vislumbra e que mudanças vê surgir?

Herman Daly – Vejo a crise financeira como decorrência de se tentar forçar o crescimento para além dos limites físicos e econômicos. À medida que o crescimento fica fisicamente mais difícil, tentamos continuar crescendo em termos monetários, financeiros emitindo montanhas de títulos da dívida e tratando isso como se fosse crescimento real – supondo que toda essa dívida venha a ser saldada pelo crescimento futuro. Nos EUA, atualmente 40% de todos os lucros são obtidos no setor financeiro – o setor financeiro se tornou um parasita.

IHU On-Line – Uma crise financeira como a que vivemos justifica o descaso ambiental e a tomada de medidas restritivas radicais, com emissão de poluentes, como único meio de sair do cenário sombrio, ou é justamente um momento que favorece uma mudança no paradigma econômico, como oportunidade para se pensar em alternativas no sentido da economia de baixo carbono?

Herman Daly – Certamente a opção seria a segunda, não a primeira.

IHU On-Line – Uma economia de baixo carbono abriria quais novas possibilidades para a sociedade, que sairia da economia baseada em combustíveis fósseis? Bastaria mudar as estruturas externas ou seria exigida uma metamorfose dos sujeitos, como sugere Edgar Morin?

Herman Daly – Se isso significa conversão, uma mudança do coração e da mente, então, sim, acho que é necessário, mas não suficiente sem políticas públicas para um estado estacionário.

IHU On-Line – Que oportunidades e dificuldades surgem para o Brasil e outros países emergentes com a economia de baixo carbono?

Herman Daly – O mesmo vale para todos os países – um planeta em que se possa viver durante muito tempo em vez de todos se darem mal juntos.

IHU On-Line – Que relação o senhor estabelece entre economia e felicidade?

Herman Daly – O PIB e a felicidade estão correlacionados positivamente até um certo limiar de suficiência. Para além dele, o PIB não parece aumentar a felicidade, mas continua a causar problemas ambientais.

IHU On-Line – Quais as implicações de uma sociedade em que o crescimento econômico não dá conta da dimensão subjetiva do ser humano?

Herman Daly – Creio que o crescimento realmente não satisfaz mais as verdadeiras necessidades humanas de comunidade, bons relacionamentos e paz. Uma economia calcada no crescimento leva à guerra por recursos e território.

(Por Graziela Wohlfart)

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Passeando pelas ruas e pelas páginas de jornais com o olhar do Dr. Ástrov do “Tio Vânia”

de Eduardo Moreira

 Originalmente publicado em: http://www.grupogalpao.com.br/blog/
 Tchékhov escreveu “Tio Vânia” entre 1896 e 1897. Ou, pelo menos, finalizou sua versão definitiva nesse período. O público que assiste a nossa montagem no Galpão Cine Horto, fica muito impressionado pelo discurso tão bem articulado e de uma clareza ecológica e ambientalista de tal forma contundente, proferida pelo doutor Ástrov, em pleno final do século XIX, quando a perspectiva de uma catástrofe dos recursos naturais era algo simplesmente impensável. Nosso autor criou um ecologista “avant-la- lettre” pelo menos uns sessenta anos antes da matéria começar a pontuar nossas manchetes diárias. Numa carta escrita no seu retiro em Ialta, endereçada a Olga Kníper, sua mulher e atriz do “Teatro de Arte de Moscou”, nosso autor diz que passa os dias escrevendo e plantando árvores. Ele tinha a convicção de que, assim como a arte e tudo que traz beleza à atribulada vida humana, também as árvores são capazes de “criar homens mais gentis e bem educados”, nas palavras da apaixonada Sonia se referindo ao trabalho desenvolvido por Ástrov, na recuperação das paisagens e no plantio de novos bosques.

Assim como ler livros jamais poderá fazer com que as pessoas se tornem piores ou menos virtuosas, também plantar e proteger as árvores e a natureza em geral certamente não poderá deseducar ninguém. Muito pelo contrário.Assim como a fruição da arte é fundamental para criar pessoas sensíveis, educadas e engajadas num projeto de sociedade e de bem comum, que extrapole o individualismo vazio, também o contato e a defesa da natureza é algo que se faz essencial para o desenvolvimento desse quesito.

Bom, digo tudo isso, para falar que as palavras do Doutor Ástrov me perseguem o tempo todo, especialmente quando caminho pelas desoladoras ruas da nossa metrópole, outrora chamada de “cidade jardim”.Nunca vi tantas árvores cortadas, a começar pelo parque Municipal, uma espécie de pulmão verde do caótico centro da cidade.Só para ficar próximo de casa, a rua Pitangui, onde fica situada a sede do Galpão,está hoje reduzida a uma sequência de tocos de árvores impiedosamente decepadas. E o que mais irrita é que toda essa depredação é promovida e maquiada com uma demagógica propaganda de cunho ecológico de bem estar individual. Nunca vi tanta destruição de casas e de árvores em quase todos os bairros de Belo Horizonte. Em nome de uma pretensa liberdade, deixa-se o poder econômico destruir impiedosamente nossas ruas e nossa paz.A cidade vai sendo rasgada e descaracterizada em nome de uma circulação elitista, feito para um transporte elitista de carros, quase na sua totalidade conduzidos por uma única pessoa. Enquanto isso, os pedestres caminham pelas vias assustados e ameaçados por vias em que se pratica a perversa inversão de que a prioridade é sempre o carro. E o resultado é uma poluição que avança, trazendo doenças. É só olhar para as árvores da cidade para sentir como vivemos num ambiente contaminado, desequilibrado, gerador de possíveis novas doenças decorrentes de “um delicado equilíbrio que foi rompido e que fará com que a vingança da natureza logo dê seus primeiros sinais”. Boa parte das árvores da cidade são vítimas de pragas e de doenças

Outro elemento presente de forma intensa na peça e, especialmente nas palavras do Dr. Ástrov , é o poder da beleza, como algo capaz de nos mobilizar, nos tirar da indiferença. E é muito triste  perceber como, cada vez mais, a cidade vai se tornando um amontoado de construções de gosto muito duvidoso,espigões verticais que não respeitam o nosso direito ao horizonte e aos raios do sol e cuja construção visa apenas a ganância, o lucro desmedido e a mais absoluta irresponsabilidade.

Num momento especialmente dramático para os interesses das futuras gerações no Brasil, em que um congresso dominado pela mais absurda irresponsabilidade de um poder econômico tipicamente capitalista periférico, regido pelo impulso de ganhar  o máximo no tempo mais curto, sem pensar nada no futuro e no legado que deixaremos para os que vierem depois de nós,acaba de aprovar um novo código florestal que abre caminho para mais destruição, nada mais atual do que dizer as palavras do dr. Ástrov, escritas há 113 anos atrás.

MANIFESTO EM DEFESA DE QUASE 300 ÁRVORES AMEAÇADAS DE CORTE NO PARQUE MUNICIPAL DE BH

Originalmente publicado em:

http://deslocamentos.wordpress.com/2011/02/12/arvores-ameacadas-de-corte-no-parque-municipal/

Considerando a temperatura atual de 45º C na capital do Rio de Janeiro, defendemos em Belo Horizonte os maiores reguladores do clima em nossa capital mineira.

Indiferença e irresponsabilidade quanto aos cuidados minuciosos necessários às Árvores resultam em mais uma morte em Belo Horizonte e colocam em risco 200 Árvores que já estão sendo cortadas no Parque Municipal da Capital, cujo título um dia foi “Cidade Jardim”.

No mês em que Márcio Lacerda foi indicado pelo Datafolha como o melhor prefeito dentre as capitais brasileiras, essa fatalidade evidenciou a necessidade do Poder Público dar o valor merecido à questão ambiental urbana, em suas diversas nuances, na Capital Mineira, destacando no momento, a realidade das Árvores.

O ocorrido no Parque Municipal “Américo Renê Giannetti” tomou proporção negativa nacional, sendo divulgado em toda a mídia, de norte a sul do Brasil, conforme alguns links ao final.

Queremos nos orgulhar também de termos como nosso representante, um Prefeito responsável, atento e ativo quanto as questões ambientais.

Belo Horizonte que desponta como referência positiva em várias áreas, lamenta por carecer de atenção especial para o tema ambiental – apesar do clamor planetário que predomina nos tempos atuais.

Ainda resta na memória dos belorizontinos mais antigos, o lamento pela eliminação de todas as Árvores no centro da Av. Afonso Pena.

Agora, mais uma mácula está prestes a existir na história de nossa Capital, afinal, quanto tempo demorará para a recomposição do verde hoje existente no  Parque Municipal – um dos pulmões de BH -, após esse desastre, considerando as supressões que já estão ocorrendo lá??? Ficará a ferida exposta e espalhada naquele Parque.

Foi inédita a fatalidade da morte, no Parque Municipal, de uma cidadã no dia 12/01/2011.

Há que se tomar providências, é fato. Entretanto, não se justifica o extermínio radical de tantas espécies, sem o empenho de se buscar alternativas sustentáveis para salvá-las em contraposição à solução imediatista de simplesmente cortar essas quase 300 árvores que regulam a temperatura; amenizam a poluição; enriquecem as áreas de lazer e cultura; fornecem sombra e bem estar, além de diversos outros beneficios ao ecossistema local, promovendo a qualidade de vida.

Muito além da questão ambiental, aquelas Árvores são tombadas pelo Patrimônio Histórico. Não obstante, estão sendo tombadas em total desrespeito ao Ecossistema Urbano e às pessoas que habitam a Capital.

Pagamos impostos muito altos e queremos ver revertidos nossos recursos financeiros para investimento suficiente que atenda a grande e variada demanda na área ambiental.

Não pode ser considerado dispendioso investir em tecnologia e planejamento para tratar de nossas Árvores.

Brasília e outras capitais, como Porto Alegre e São Paulo, já têm o inventário, mapeamento e manutenção preventiva de todas as suas Árvores através de um detalhado planejamento – Plano Diretor de Arborização Urbana.

Questionamos a vistoria realizada recentemente e pedimos que seja realizada nova vistoria técnica mais criteriosa dessas Árvores, que já estão sendo suprimidas, por uma equipe multidisciplinar de áreas afins. A população não pode admitir a solução simplista da supressão de tantas árvores, antes de tentar tratá-las, já que não foram cuidadas preventivamente.

Pleiteamos à Administração Pública a imediata interrupção do corte dessas Árvores condenadas pela Secretaria de Meio Ambiente, muitas delas centenárias, existentes no Parque Municipal de Belo Horizonte, bem como, manutenção da interdição do Parque transformando-o em um verdadeiro “hospital de árvores” até que as árvores estejam devidamente tratadas.

Isolamento das espécies ameaçadas de cair; tratamento das árvores doentes; combate às pragas; poda adequada quando necessário; utilização de cabos de sustentação; transplantes; equipamentos modernos de detecção da saúde das Árvores com realização de ressonâncias e contratação de pessoal qualificado e suficiente são as alternativas apresentadas e defendidas como urgentes por este movimento.

Conclamamos toda a sociedade que permanece apática ao tema, ou parte dela que discorda dessa situação caótica para que nos mobilizemos, saindo da indignação silenciosa e isolada e pleiteando à Administração Pública a devida atenção ao Meio Ambiente Urbano, não só para o nosso benefício, mas, principalmente, por ele, dado seu valor intrínseco.

Diante do exposto, que haja o despertar e o assumir de nova postura pelo Poder Público e pela sociedade, quanto a ética, a responsabilidade de cuidar e o respeito merecido às Árvores – nosso “Patrimônio Natural, Histórico e Cultural”.

MOVIMENTO EM DEFESA DAS ÁRVORES DE BH

fevereiro / 2011

(nossasarvores@gmail.com)

REFERÊNCIAS:

Sistema de gerenciamento de árvores urbanas de São Paulo

http://www.ipt.br/solucoes/17-sistema_de_gerenciamento_de_arvores_urbanas.htm

Plano Diretor de Arborização Urbana de Porto Alegre

http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smam/default.php?p_secao=9

Arborização Urbana – Porto Alegre

http://www2.portoalegre.rs.gov.br/cgea/default.php?reg=2&p_secao=28

Inventário da Arborização Urbana implantada na década de 60 no Plano Piloto, Brasília – DF

http://www.revsbau.esalq.usp.br/artigos_cientificos/artigo96-publicacao.pdf

Vantagens da Arborização Urbana Brasília, DF

http://guialocal.brasil.com.br/Vantagens_da_Arborizacao_Urbana_Brasilia_DF-r1163876-Brasilia_DF.html

Árvores da capital estão condenadas, adverte botânico da UFMG / Especialista constata, em passeio de hora e meia, que podas são malfeitas, espécies, inadequadas, e falta espaço para o crescimento das raízes

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/arvores-da-capital-est-o-condenadas-adverte-botanico-da-ufmg-1.60882

Marcio Lacerda obtém a melhor avaliação popular entre os prefeitos das principais capitais do país

http://www.revistaviverbrasil.com.br/59/materias/01/capa/discricao-que-agrada/

Árvore cai sobre 10 carros no bairro Santo Agostinho

http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=109255

IEPHA/MG apresenta: Conjunto Paisagístico do Parque Municipal – Belo Horizonte

http://www.iepha.mg.gov.br/banco-de-noticias/893-iephamg-apresenta-conjunto-paisagistico-do-parque-municipal–belo-horizonte

Histórico do Parque Municipal “Américo Renê Giannetti”

http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=fundacaoparque&tax=15400&lang=pt_BR&pg=5521&taxp=0&

Vistoria falha, árvore cai e mata mulher no Parque Municipal

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/vistoria-falha-arvore-cai-e-mata-mulher-no-parque-municipal-1.227319

Queda de árvore causa morte de mulher

http://www.radiopescadores.com.br/radio/index.php?option=com_content&view=article&id=114:queda-de-arvore-causa-morte-de-mulher&catid=38:mundo

Árvore cai e mata mulher no Parque Municipal

http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=98899

Queda de árvore mata mulher em parque de Belo Horizonte, MG

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/queda+de+arvore+mata+mulher+em+parque+de+belo+horizonte+mg/n1237943095371.html

Árvore cai e mata mulher em parque de Belo Horizonte

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/859375-arvore-cai-e-mata-mulher-em-parque-de-belo-horizonte.shtml

Árvore cai e mata mulher no Parque Municipal em BH

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/01/12/interna_gerais,203228/arvore-cai-e-mata-mulher-no-parque-municipal-em-bh.shtml

Árvore de grande porte cai e mata mulher no Parque Municipal de BH

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/01/arvore-de-grande-porte-cai-e-mata-mulher-no-parque-municipal-de-bh.html

Queda de árvore mata mulher em parque de Belo Horizonte (MG)

http://noticias.r7.com/cidades/noticias/queda-de-arvore-mata-mulher-em-parque-de-belo-horizonte-mg-20110112.html

200 árvores serão derrubadas no Parque Municipal de BH

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/01/200-arvores-serao-derrubadas-no-parque-municipal-de-bh.html

Árvore cai e mata mulher no Parque Municipal, em BH

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/arvore-cai-e-mata-mulher-no-parque-municipal-em-bh-1.226784

Acorda Brasil: vamos parar Belo Monte

“Se você não encontra o sentido das coisas é porque este não se encontra, se cria.”
Antonie de Saint-Exupéry

Incrível, mais de 416.260 pessoas assinaram a petição para parar Belo Monte. Nós só temos cinco dias até a entrega espetacular da petição em Brasília! Encaminhe este email para todos — vamos conseguir 500.000.
Caros amigos,

O governo já emitiu a licença inicial para Belo Monte e as empreiteiras podem começar a derrubada das árvores a qualquer momento! A nossa petição urgente para parar esta barragem será entregue em Brasília dentro de 5 dias, assine agora:

Chegou a hora de uma ação urgente, o governo já liberou a derrubada de árvores para abrir o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

A Amazônia é um tesouro incalculável, por isto precisamos gerar uma indignação imediata. Nos últimos dias centenas de brasileiros inundaram o gabinete da Presidente Dilma com telefonemas, e mais de 416.260 pessoas já assinaram a petição. Agora, vamos aumentar a pressão. Assine a petição de emergência para a Dilma parar Belo Monte e proteger a Amazônia — ela será entregue de forma espetacular com os parceiros indígenas da Avaaz em Brasília na semana que vem:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

A Eletronorte, quem mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que a licença para iniciar as obras seja liberada mesmo antes do projeto cumprir as normas ambientais.

Especialistas que estudaram o projeto concordam que a usina é uma catástrofe ambiental. Três semanas atrás o ex-Presidente do IBAMA se demitiu ao se recusar a ceder a pressão política para assinar a licença de Belo Monte. Mas o governo federal rapidamente apontou Américo Ribeiro Tunes, um substituto leal que caladamente assinou a licença pouco depois de assumir o cargo.

A hidrelétrica iria inundar pelo menos 400.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Insustentável sustentabilidade, por Marjorie Rodrigues

originalmente publicado em

http://www.idelberavelar.com/archives/2011/01/insustentavel_sustentabilidade.php

Ano passado, fui a um evento em que várias bandas nacionais e internacionais se apresentaram numa fazenda no interior de São Paulo. Para assistir aos shows, era necessário comprar um ingresso que custava, se não me falha a memória, trezentos reais. Isso para ficar a vários metros de distância dos palcos. Quem quisesse ver as apresentações de perto, num cercadinho chamado de área VIP, teria de pagar o dobro. É mais do que o atual salário mínimo brasileiro, de R$510. Lá dentro, a água custava 6 reais, a cerveja uns oito. O evento foi patrocinado por quatro empresas: duas multinacionais do ramo de bebidas, uma multinacional do ramo de alimentos e uma nacional do setor de telefonia.

Tem toda a cara de um festival de música como outro qualquer, voltado para consumidores de classe média/alta, certo? Errado. Segundo os organizadores e os patrocinadores, o que estava acontecendo não era um show, bobinho, era um movimento social pela conscientização ambiental, chamado “starts with you” (começa com você). Oi? Movimento social. Tipo o feminista, o negro, o indígena e o sem-terra, sabe? Mesma coisa.

Uma das multinacionais do setor de bebidas que patrocinaram o evento foi multada em 47 milhões de dólares por poluir lençóis freáticos na Índia. Ela produz uma bebida com 18 colheres de açúcar a cada dois litros. Apenas uma de suas usinas de engarrafamento no Brasil é capaz de produzir 27 mil garrafas por hora. Outra das patrocinadoras engarrafa milhões de litros de água mineral, mesmo que muitos governos locais já tratem a água e a ofereçam gratuitamente aos cidadãos (e sem garrafa). Para competir com a água tratada e gratuita nos países onde ela é disponível, a propaganda classifica a água engarrafada como “mais confiável”, o que nem sempre é verdade.

Entretanto, nos telões do festival, ambas as empresas alardeavam sua preocupação em manter operações sustentáveis, na medida em que reciclam e/ou reutilizam parte das garrafas PET desnecessárias que produzem. A mensagem era clara: “já estamos fazendo a nossa parte, agora faça você a sua. Starts with you! Feche a torneira ao escovar os dentes, desligue os aparelhos eletrônicos da tomada quando sair de casa e seja um consumidor consciente”. E, com “consumidor consciente”, lá vem a mensagem subliminar: “ao comprar um refrigerante de uma empresa responsável como a nossa, você está ajudando o planeta. Não compre dos outros, compre da gente!”.

Nesta semana, em São Paulo, a maior editora de revistas do Brasil promove, pelo quarto ano consecutivo, um evento de sustentabilidade. A mensagem é a mesma do SWU: feche a torneira, faça xixi durante o banho, use os dois lados da folha sulfite, apague a luz. Decorando o evento, esculturas de papelão feitas com as bobinas que envolvem os rolos de papel utilizados na fabricação das revistas. E aí as pessoas vão passeando por ali e pensando “uau, que legal! Um material que normalmente seria jogado fora serviu para produzir algo belo!”.E eis que a editora de revistas se sai como uma puta empresa bacana. Mas ninguém pára para pensar, afinal, para quê todas aquelas bobinas de papel sequer foram produzidas. Ninguém se faz aquela perguntinha do Caetano: quem lê tanta notícia? A humanidade precisa mesmo de tanta revista? Pra quê tanto papel para falar dez mil vezes a mesma coisa? Não parece um contrassenso pagar de gatinho da sustentabilidade reciclando e reutilizando toneladas de papel que foram usados, principalmente, para estimular o consumo? Afinal, hábitos de consumo são a principal coisa vendida por esse tipo de veículo em particular, a revista.

Citei esses dois exemplos, mas poderia citar outros vários. Cada vez mais empresas, de todos os ramos do mercado, têm se apropriado do discurso da sustentabilidade ou patrocinado eventos de “conscientização”. E isso não é à toa. Nada mais insustentável do que o discurso da sustentabilidade. Trata-se de um discurso deliberado de alienação, que foca a resolução da questão ambiental sobre as nossas pequenas ações cotidianas e não sobre a raiz a ser extirpada: o modelo de produção e consumo vigente. É claro que nossas pequenas ações cotidianas têm sim seu peso (ninguém está dizendo que fechar a torneira enquanto escovamos os dentes é uma coisa ruim), mas vamos combinar: não somos nós que jogamos milhões de litros de óleo no Golfo do México. Não somos nós que poluímos ar e água com substâncias cancerígenas. Não somos nós os responsáveis por socar partículas de sacolinhas e garrafas PET no bucho dos animais marinhos. Então, não é à toa que tantas empresas que nunca deram a mínima para o meio-ambiente de repente tenham virado sustentáveis desde criancinha. Não é à toa que o nome do tal festival, ou melhor, do “movimento social”, é starts with you. Começa aí com você, seu trouxa. Afinal, enquanto a gente fica aqui criando consciência, as grandes empresas, responsáveis pelo grosso do problema, ganham tempo. Adia-se mais um pouco o debate sobre a sociedade de consumo que construímos.

Outro problema desse discurso da sustentabilidade, tão em voga, tão na moda, é que ele nos convida a ser benevolentes com o planeta, quase como se estivéssemos lhe fazendo um favor: “salve a planeta! Salve os ursos polares! Salve as florestas!”. Meu filho, a questão é salvar a nós mesmos. É o nosso que tá na reta. O planeta se vira sem a gente. Se isso aqui virar tudo uma grande sauna inabitável, o planeta continua existindo. Numa boa. Como todos os outros planetas inabitáveis universo afora. Não é a Terra que vai se foder (pode palavrão aqui, Idelber?), é você. Você.

O terceiro (e, muito provavelmente, não o último) problema desse discurso é que ele limita a nossa esfera de ação ao consumo. O único poder das pessoas de salvar o planeta (e não a si mesmas) é enquanto consumidoras, nunca enquanto cidadãs, nunca através do fazer político. Enfiamo-nos nessa enrascada consumindo e consumindo sairemos dela. É apenas uma questão demudar o jeito como se consome, tornando-se um consumidor “responsável”. Mas o que é ser um consumidor responsável? Ora, é consumir na mesma quantidade e das mesmas empresas de sempre (como as patrocinadoras do SWU…), só que com a consciência tranquila porque as empresas estão reciclando uma coisinha aqui e ali, utilizando circuito fechado de água numa fábrica aqui, noutra ali. Ah, e enquanto você consome uma coisa e outra, apague a luz.

Mas devo chamar atenção para uma coisinha mais. É que muitas empresas inserem o pilar social no seu conceito de sustentabilidade. E aí, a meu ver, mora um grande, gigantesco perigo. Através de fundações e institutos associados ao terceiro setor, empresas privadas querem substituir o Estado, tomando para si atividades que devem ser de responsabilidade dele (como educação, saúde, combate à pobreza, etc). Ou então, sequestram o rótulo de sociedade civil e passam a dizer ao Estado quais são as necessidades das comunidades, o que deve ser feito e como. Essa do SWU assumir o rótulo de “movimento social”, por mais ridículo que pareça, é uma coisa que as fundações e institutos, associados ao terceiro setor, já têm feito há tempos. Aí, o próprio Estado passa a dar dinheiro a empresas privadas, para que o capital se encarregue de dar um tapa nas desigualdades que ele mesmo gera.

Por isso, desconfio de toda e qualquer empresa que vem com discurso sustentável para cima de moi. Não votei em Marina, por mais que simpatize com vários aspectos de sua biografia e atuação política, justamente por causa disso. Pode me chamar de comunista barbuda, mas a solução dos problemas gerados pelo capital não virá pelas mãos do próprio capital. Há uma óbvia incompatibilidade de interesses. A mobilização, querido, realmente starts with you: não são as empresas que têm de criar consciência na gente. É a gente que tem de criar consciência, coletivamente, sem mediação privada alguma. É a gente que tem de questionar o modo como se vive, a maneira como as coisas são produzidas e, a partir daí, peitar as empresas.

PS – Mais um obrigada gigante ao querido Idelber pelo convite para escrever aqui, mesmo que a minha escrita seja assim, tão mequetrefe.

PPS – Agora o merchan. Blog: www.marjorierodrigues.com e twitter:www.twitter.com/marjerodrigues

Slavoj Zizek: se você compra produtos orgânicos, você é um cínico

por Marcos Guterman

Seção: ZEITGEIST

04.agosto.2010 00:05:59

 

O filósofo esloveno Slavoj Zizek considera que o momento atual do capitalismo pode ser chamado de “capitalismo cultural”.

Desde os movimentos contestatórios de 1968, diz ele, agregou-se ao pensamento capitalista o problema dos danos ambientais que o consumo provoca. O discurso da preservação foi incorporado como valor de mercado. Assim, quando um consumidor compra algo hoje, ele não compra um produto, mas uma ideia vinculada ao ambiente e à sustentação da vida em lugares remotos.

“Quando você compra um café no Starbucks, compra-se algo mais do que um café. Compra-se um café ético”, diz Zizek. Os produtores desse café são remunerados de modo “justo”, segundo a companhia, de modo que um cliente do Starbucks sabe que seu café não matou ninguém de fome. Desse modo, o consumidor se “redime” de sua condição de consumidor.

Há várias outras coisas que “redimem” o consumidor, afirma Zizek: pode-se fazer bem ao meio ambiente, pode-se ajudar as crianças na Guatemala, pode-se restaurar o sentido de “comunidade”. Consumir torna-se, assim, quase uma obrigação, de modo a atender essas necessidades envolvidas na venda dos produtos “do bem”.

Zizek pergunta: quem compra frutas e verduras orgânicas realmente prefere esses vegetais aos produtos transgênicos ou que receberam tratamento químico? Esses produtos são mais gostosos? Nada disso importa. O que interessa é que os produtos orgânicos fazem bem à consciência do consumidor, que sente estar “fazendo algo” pelo meio ambiente. Para Zizek, isso é cinismo.

O filósofo argumenta que a caridade e o “consumo ético” não modificam essencialmente o capitalismo. Pelo contrário: ajudam a perpetuá-lo, porque, segundo Zizek, a única forma de realmente ajudar os miseráveis no mundo seria proporcionar-lhes a capacidade de criar sociedades em que a pobreza seja impossível, e o “altruísmo” impede isso.

Abaixo, um resumo animado das ideias de Zizek.